Médicos do D. Estefânia queixam-se de excesso de trabalho mas ministra não vai intervir


A ministra da Saúde garantiu hoje que "não irá intervir" na gestão do Hospital D. Estefânia, a propósito de uma carta dos chefes clínicos a denunciar excesso de trabalho dos médicos provocado pela gripe A (H1N1).

Intervindo em Penela, distrito de Coimbra, no final da inauguração de uma unidade de Cuidados Continuados Integrados, Ana Jorge confirmou que recebeu a missiva dos chefes clínicos daquele hospital a denunciar excesso de trabalho, alertando para uma situação à beira do colapso que coloca em causa a segurança do atendimento a doentes.

"O ministério não irá intervir, não lhe compete intervir numa situação dessas. Compete aos órgãos de gestão do hospital dar a resposta e enquadrar a situação naquela que forem as necessidades", afirmou a governante aos jornalistas.

Ana Jorge considera que este "é um problema de gestão da instituição e da administração que estará obviamente a tomar conta da situação", referindo ainda que "o número de doentes que foram observados no hospital diariamente não ultrapassou aquilo que é previsível nesta altura do ano".

De acordo com o jornal “Sol”, "o aumento de trabalho provocado pela gripe A e a má organização dos serviços estão a deixar os médicos do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, 'no limiar da exaustão física'". Numa carta enviada esta semana à ministra da Saúde, "os chefes de equipa de pediatria médica do hospital dizem que a situação pode mesmo vir a pôr em causa a 'segurança de atendimento dos doentes' com patologias mais graves do que a gripe".

A ministra da Saúde inaugurou de manhã, em Serradas, concelho de Penela, distrito de Coimbra, uma nova Unidade de Cuidados Continuados com 60 camas, propriedade da Naturidade, aumentando a resposta na região Centro para 1106 camas nesta área.

Ana Jorge salientou a aposta do Governo na Rede de Cuidados Continuados que, segundo afirmou, veio colmatar uma "grande carência" no apoio a pessoas idosas e dependentes com "necessidades de cuidados de saúde, apoio social e reabilitação".

Segundo a governante, existem actualmente cerca de 3500 camas em funcionamento no país, sendo que mais de 1000 se referem à região Centro, para além de duas mil pessoas apoiadas no domícilio por uma rede de equipas de cuidados continuados. A ministra da Saúde deslocou-se a seguir para Penacova, onde vai também inaugurar uma unidade similar no Solar Billadones, com capacidade para 44 camas.

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