Gripe A: DGS estima que 11 por cento dos portugueses sejam infectados nas estações frias


O director-geral da Saúde estimou hoje que 11 por cento dos portugueses podem ser infectados com o vírus H1N1 nas estações frias e que nas próximas semanas os mais afectados podem ser os jovens até aos 19 anos.

"Onze por cento da população nas estações frias do ano pode ser infectada partindo do princípio de que vamos ter uma propagação deste tipo", afirmou Francisco George na conferência "Gripe A: Informar para agir", a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

No entanto, ressalvou, este cenário não é diferente do que ocorre nalguns Invernos em que cinco a 10 por cento da população tem gripe "sobretudo quando a actividade epidémica é mais expressiva".

Relativamente ao perfil dos doentes com gripe A, o director-geral da Saúde sublinhou que oitenta por cento de todos os casos de gripe são em crianças e jovens com menos de 30 anos mas, admite, nas próximas semanas os jovens dos 10 aos 19 anos e as crianças até aos nove anos podem ser os grupos principais atingidos pela doença.

Esta situação, "própria da pandemia", tem-se verificado em todos os outros países e Portugal "ainda está influenciado pelo perfil da idade do viajante", refere Francisco George. "É preciso ter em conta que o perfil de idades no nosso país [afectado pela doença] ainda é muito influenciado pelos que viajaram e trouxeram as infecções de outros países", adverte o director-geral da Saúde.

Francisco George frisou que a expressão clínica da gripe A será "ligeira", mas salientou que vão registar-se 11 por cento de casos moderados e um por cento de graves, que exigirão mais atenção médica. "Estamos perante um fenómeno que pode ter pouca expressão em termos de taxas percentuais, mas que em números absolutos impõe um stress grande às unidades de saúde", sublinhou na conferência.

Até ao final da 35.ª semana (30 Agosto), registaram-se em Portugal 2614 casos cumulativos confirmados em laboratório. No domingo, dez pessoas estavam hospitalizadas, três das quais nos cuidados intensivos. Ainda não se registou qualquer morte associada à gripe A.

Na conferência, Paula Vasconcelos, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, referiu que "Portugal tem sido dos poucos países que vai actualizando os dados com frequência", alertando que o facto de os países fazerem uma contabilização diferente pode levar a "comparações menos correctas".

Daí que Portugal apareça como o segundo país da Europa com mais casos notificados. Questionado sobre esta situação, Francisco George disse que se deve ao facto de continuar a notificar casos, o que não acontece com outros países, como Espanha e Reino Unido, que não têm um sistema de comunicação oficial de casos.

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