D. Estefânia admite sobrecarga com gripe A mas diz que atendimento não foi prejudicado


O Hospital D. Estefânia admite uma sobrecarga de trabalho dos clínicos seniores devido aos procedimentos obrigatórios na triagem da gripe A, mas garante que nunca esteve em causa o atendimento das outras urgências que recorrem a esta unidade pediátrica.

Um grupo de clínicos do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, escreveu à ministra da Saúde, Ana Jorge, a denunciar o excesso de trabalho, alertando para uma situação à beira do colapso que estaria a colocar em causa a segurança do atendimento a doentes.

"Nunca foi descurada a segurança dos restantes casos clínicos que ocorrem à urgência geral", garantiu Luísa Monteiro, directora clínica adjunta do hospital, realçando que no mês de Agosto se registou, inclusive, um abrandamento dos casos que acorreram à urgência geral, em comparação com o período homólogo do ano passado.

A responsável lembrou que o D. Estefânia era, até há pouco tempo, o único hospital de referência da gripe A para a comunidade pediátrica, tendo analisado, desde Maio, mais de 700 casos suspeitos de infecção com o H1N1 em crianças e grávidas, dos quais mais de 230 foram positivos.

"As pessoas, desde Maio, estão a fazer procedimentos novos e obrigatórios relacionados com a epidemia da gripe A, o que exigiu uma adaptação a procedimentos que se iam alterando e fez com que houvesse uma sobrecarga de trabalho, principalmente dos clínicos seniores e chefes de serviço, que eram contactados por outras unidades de saúde para validar diagnósticos", reconheceu.

"Aceitamos que houve um trabalho suplementar diferente daquele a que as pessoas estavam habituadas, mas contamos com os profissionais, porque o pior ainda não chegou", alertou Luísa Monteiro, salientando que a administração do D. Estefânia tem "em mente adaptar o reforço das equipas à medida" que os casos de gripe A o exigirem.

A directora clínica adjunta salientou que não está nem esteve em causa o atendimento dos outros casos nas urgências do hospital e revelou que está em construção no recinto do pediátrico uma unidade vocacionada unicamente para o atendimento dos casos de gripe A, que deverá ficar terminada ainda este mês.

A responsável afirmou também que a administração do hospital tem capacidade para resolver a situação e que só "em último caso" recorrerá ao Ministério da Saúde. Por seu lado, a ministra da Saúde garantiu hoje que "não irá intervir" na gestão do Hospital D. Estefânia.

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