Estirpe que circula nos doentes portugueses corresponde à vacina


A estirpe do vírus da gripe A H1N1 que circula em Portugal é a mesma para a qual estão a ser produzidas vacinas, o que pressupõe a eficácia desta medida profiláctica, revelou à Lusa fonte do Instituto Ricardo Jorge.

De acordo com a responsável da unidade de referência e vigilância epidemiológica do Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), Cristina Furtado, esta conclusão surgiu após Portugal ter enviado as amostras de vírus recolhidas nos doentes portugueses.

A cultura do vírus foi feita no laboratório do INSA, o único em Portugal com esta capacidade, e enviada para os laboratórios da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Após caracterização do vírus, a OMS concluiu que a estirpe que circula nos doentes portugueses "é a inicial", o que significa que "ainda não teve qualquer mutação".

De acordo com Cristina Furtado, trata-se da Estirpe A/-california-7-2009, a mesma que é recomendada para a vacina que está a ser produzida e para a aquisição da qual Portugal já fez uma reserva.

Cristina Furtado considera que esta é uma "muito boa notícia", pois garante eficácia à vacina que está a ser produzida e que deverá proporcionar imunidade ao vírus da gripe A H1N1.

A mutação do vírus H1N1 é a grande preocupação das autoridades no que diz respeito à validade da vacina, mas numa entrevista à Lusa em Julho, a ministra da Saúde revelara que as vacinas encomendadas por Portugal poderão ser aproveitadas mesmo que o vírus sofra uma mutação.

Ana Jorge explicou nessa altura que a possibilidade de o vírus sofrer uma mutação é uma preocupação "comum a todos os países", mas explicou que em caso de mutação "a única coisa que não é aproveitada é a própria vacina, que é o mais barato", adiantou, abrindo a possibilidade a que os seus componentes possam vir a ser reutilizados de alguma forma.

O INSA revelou também hoje que o seu trabalho ao nível da qualidade de diagnóstico laboratorial foi recentemente avaliado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), tendo os resultados obtidos sido "cem por cento positivos".

Para esta avaliação, o INSA recebeu da OMS várias amostras de vírus, entre os quais do H1N1.

As amostras foram analisadas pelos investigadores do INSA, segundo "os protocolos laboratoriais actualmente em utilização no laboratório e os resultados enviados posteriormente à OMS".

Esta avaliação externa da qualidade concluiu que os resultados obtidos pelo INSA foram os correctos, posteriormente confirmados pela OMS.

O INSA coordena uma rede de oito laboratórios para o vírus da gripe A H1N1, demorando actualmente cerca de 24 horas a dar o resultado da análise. Desde Abril, o INSA em Lisboa analisou cerca de 5.000 amostras para o H1N1.

Fenprof exige que alguns exercícios não sejam praticados nas aulas de Educação Física


A Fenprof exigiu hoje que determinadas áreas do programa de Educação Física do ensino secundário, como ginástica de solo, acrobática e de aparelhos, não sejam leccionadas, de forma a evitar o contágio pelo vírus da gripe A (H1N1).

Em comunicado, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) informa que enviou hoje um ofício aos Ministérios da Saúde e da Educação, a pedir que "sejam tomadas as providências necessárias para que durante o período de risco da gripe A sejam excluídas algumas áreas do programa" da disciplina.

Após contactos com diversos docentes, a federação concluiu que apesar das recomendações não foi dada "qualquer instrução de não leccionação" relativas a algumas áreas obrigatórias do programa de Educação Física.

"É o caso, por exemplo, da ginástica de solo, acrobática e de aparelhos, cujo contágio não é evitável, tendo em conta que vários alunos utilizam o mesmo espaço, sem qualquer possibilidade de desinfecção prévia (tapetes, paralelas, argolas, trave, etc.)", afirma também a Fenprof, em comunicado.

Ministra da Saúde diz que sabão azul e branco pode colmatar falta de gel em escolas


A ministra da Saúde, Ana Jorge, voltou hoje a apelar aos pais para não levarem à escola crianças com febre e afirmou que, perante a falta de gel desinfectante em algum estabelecimento, o mais importante é lavar as mãos.

"O mais importante é lavar as mãos e isso pode ser feito com água e sabão", afirmou a ministra à margem de uma apresentação de investimentos do Centro Hospitalar Lisboa Norte, quando questionada pelos jornalistas sobre a falta daquele produto em algumas escolas.

Ana Jorge respondeu que o país tem milhares de escolas e que se "em alguma escola mais pequenina" não houver gel desinfectante o importante é lavar as mãos, o que pode ser feito "com sabão azul e branco".

A ministra disse ainda que a vacina da gripe sazonal deve ser tomada pelos grupos de risco, tal como em anos anteriores, mas não protege contra a gripe A (H1N1), pelo que não vale a pena as pessoas acorrerem em massa às farmácias na expectativa de ficarem imunes ao novo vírus.

Centenas de pessoas já reservaram a vacina contra a gripe sazonal, que chegará às farmácias a 15 de Setembro, existindo pedidos feitos há meses e muitas dúvidas sobre as diferenças entre a gripe comum e a causada pelo H1N1.

Em ano de pandemia de gripe, embora causada por um vírus novo, os portugueses parecem estar mais cautelosos do que nunca, estando a crescer as listas de pedidos de reserva da vacina contra a gripe sazonal.

Estes pedidos de reserva acontecem todos os anos, mas em várias farmácias portuguesas estão a chegar mais cedo do que o habitual.