Os médicos dispensados das urgências e até os reformados poderão ser uma solução para o aumento dos casos de gripe A (H1N1), defende o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), para quem "nenhum faltará à chamada".
Carlos Arroz disse que esta poderá ser uma solução para um eventual aumento do número de casos de gripe A em Portugal e o consequente crescimento da procura de serviços de saúde.
O médico adiantou que o aproveitamento destes médicos pressupõe, contudo, uma determinação da ministra da Saúde, a qual "nem precisa de ter um enquadramento legislativo", mas apenas "carácter de despacho".
Para Carlos Arroz, com um aumento exponencial do número de casos, serão necessários mais médicos, principalmente porque esta classe também pode ser atingida pela doença e, por isso, haver clínicos que fiquem impossibilitados de trabalhar.
Para já, e até que sejam chamados médicos que já não realizam serviços de urgência ou os já reformados, a distribuição dos profissionais de saúde para serviços específicos de atendimento à gripe A pode ter como consequência o adiamento de serviços programados.
"As consultas programadas e o acompanhamento de certas doenças poderão ser adiados, em nome de uma situação extraordinária, como é o caso da pandemia da gripe A", disse.
Carlos Arroz frisou que existem outros serviços que não podem ser adiados e necessitam, por isso, de contínuo acompanhamento.
"As barrigas das senhoras e as crianças não podem deixar de crescer, nem os doentes crónicos - como diabéticos e portadores de doenças cardiovasculares - podem ficar sem resposta", adiantou.
Carlos Arroz defende ainda uma intervenção da ministra da Saúde no sentido de libertar os médicos dos atestados que actualmente prestam e que lhes consomem entre 20 a 30 por cento do seu tempo. "Se o Governo libertar os médicos de passarem atestados para tudo e mais alguma coisa, conseguirá mais profissionais disponíveis", sublinhou.
Para o secretário-geral do SIM, esta é a altura certa para começar a preparar estas respostas, pois a situação "começa a complicar-se".
Prova disso é, segundo Carlos Arroz, que alguns centros de saúde ainda não se adaptaram às regras de segurança necessárias para receber doentes com sintomas de gripe A.
"Nos Serviços de Atendimento à Gripe (SAG) os médicos trabalham com toda a segurança, vestidos a rigor e cumprindo protocolos, mas esses mesmos médicos não dispõem de tais instrumentos nos centros de saúde onde acolhem doentes com os mesmos sintomas", denunciou.
Para Carlos Arroz, o facto de os médicos portugueses serem uma classe envelhecida joga a favor contra a infecção pelo vírus H1N1. Isto porque, lembrou, vários estudos têm alertado para uma alegada protecção das pessoas que nasceram antes de 1957 e que terão tido contacto com o vírus da "gripe espanhola", o que lhes terá dado alguma imunidade.
Certo é que, por essa ou outras razões que a comunidade científica continua a avaliar, o vírus H1N1 afecta mais e com maior gravidade as classes mais jovens.
Em Portugal, a idade avançada é uma das razões para a falta de clínicos, nomeadamente porque os dispensa de serviços como as urgências.

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